Ouro De Tolo by Raul Seixas Lyrics Meaning – A Dive Into the Psyche of Brazil’s Rock Iconoclast
Lyrics
Foi justamente num sonho que Ele me falou”
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado
Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
Gita gita gita gita gita
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
Gita gita gita gita gita
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes
Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família ao Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos
Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua
Cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador
Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou para ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:
Eu nasci há dez mil anos atrás
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais (2x)
Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi,
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi conde Drácula sugando o sangue novo
E se escondendo atrás da capa
Eu vi,
Eu vi a arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros para floresta
Pro quilombo dos palmares
Eu vi,
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Eu vi o sangue que corria da montanha
Quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,
Eu li os simbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança para poder dançar ciranda
E, quando todos paraguejavam contra o frio,
Eu fiz a cama na varanda
Não, não porque
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não
Não, não porque
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não
Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taverna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também,
Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E para aquele que provar que eu tou mentindo
Eu tiro o meu chapéu
Eu nasci (eu nasci)
Há dez mil anos atrás (eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
When you mention Raul Seixas, one of Brazil’s most iconic rock musicians and songwriters, you invoke the spirit of rebellion and the art of questioning the status quo. Ouro De Tolo, a Portuguese phrase translating to ‘Fool’s Gold’, is a testament to such a legacy. On the surface, the song appears to be Seixas’s autobiographical musings; but dig a little deeper, and you find a manifesto railing against societal norms, superficial success, and the human condition itself.
Released in 1973 during the height of Brazil’s military dictatorship, Ouro De Tolo wasn’t just a popular rock song; it was an anthem of dismay and defiance, a swearing-in of personal authenticity against dictatorial imposition. Decoding its lyrics is akin to unwrapping a mummy of societal critique, with each layer representing a new nuance of the cultural ethos that Seixas stood against.
The Portrait of an Unfulfilled Prophet
The song’s haunting refrain, ‘Eu nasci há dez mil anos atrás’ (I was born ten thousand years ago), positions Seixas as a wide-eyed observer of human history, who saw its greatest moments but remained untouched and unimpressed. This refrain is a metaphor for the songwriter’s understanding of the cyclical nature of human folly. It’s about the realization that the same mistakes are repeated ad nauseam and that witnessing them without learning makes one akin to the fool who mistakes iron pyrite for precious gold.
Seixas, in this vivid narrative, asserts an omnipresent consciousness, disenchanted by the parade of history, from the crucifixion of Christ to the military movements of Hitler. Each line captures a snapshot of human history, repainted as a mundane recurrence, stripped of its grandiosity to reveal the tiresome cycle where humanity is stuck.
A Sardonic Satire on ‘Success’
The lines of the song slice through the veneer of material success. The mention of a ‘Corcel 73’, a symbol of bourgeois achievement at the time, the residency in Ipanema, and the seemingly stable job, are all juxtaposed with an inner sense of aimlessness and dissatisfaction. Seixas mocks the conventional markers of success, challenging the audience to look beyond societal measures of fulfilment and question what is often blindly celebrated.
His discontentment is emphasized when expressing the ‘great joke’ and danger of such a comfortable position. To Seixas, societal accomplishments offer false comfort, akin to fool’s gold — shiny on the outside but of no real value.
The Loneliness of the Rebel Mind
Delve into the quieter moments of ‘Ouro De Tolo’, and you find the solitude that often accompanies the rebellious spirit. When Seixas muses about not being an endlessly grinning, love-spouting figure, it speaks to the isolated path of the visionary who sees what others do not. The rebel is ‘calado’, silent, not because he has nothing to say, but because his thoughts are not easily digestible by the merry masses.
This silent rebellion is further echoed in the chorus, ‘Eu sou a luz das estrelas, Eu sou a cor do luar’ (I am the light of the stars, I am the color of the moonlight), a metaphor for the ethereal and oft-misunderstood nature of the true artist – present and impactful, yet solitary in their celestial glare.
Eclipsed Fortunes: The Song’s Hidden Meaning
Hidden beneath the song’s surface is a critique of consumerism and the overvaluation of wealth and status. Seixas unleashes a satirical exposé of the Brazilian middle-class dreams, draping them in the absurdity of the naked emperor. The song is a prism, and through its refractive lyrics, we glimpse the malaise that can infect a culture obsessed with material gain and the trappings of modern life.
From the zoo visits to the grasping for professional titles, Seixas suggests that these are all distractions—futile attempts to give meaning to an existence that should be satisfied with simpler, more profound truths. This search for authenticity is a recurrent theme in Seixas’s work, a call to strip away the golden allure and uncover the real, even if it’s less shiny.
Hits that Sting: Memorable Lines and Their Impact
Every line in ‘Ouro De Tolo’ is like a carefully aimed dart, and some hit the bullseye with particular precision. One such line is ‘Saber que é humano, ridículo, limitado’ (Knowing that you are human, ridiculous, limited), which serves as a humbling reminder of the inherent imperfections of our nature. This humility underlies much of Seixas’s philosophy, pointing to a need for self-awareness and introspection in a world that often values hubris and ignorance.
Another unforgettable line, ‘Esperando a morte chegar’ (Waiting for death to arrive), captures the existential dread that permeates the life of someone who sees through society’s false promises. It reminds the listener of the inevitability of death, encouraging a life lived in authenticity rather than in the hollow comfort of achievements that society dictates but ultimately have no significance in the face of mortality.





