Eu Sou 157 by Racionais Mc’s Lyrics Meaning – Unpacking the Socio-Political Commentary in Brazil’s Urban Soundscape
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Song Meaning
- The Gravity of ‘Article 157’: A Metaphor for Socioeconomic Struggle
- Hero or Villain? Eulogized by Kids, Demonized by the System
- Unearthing the Protagonist’s Psyche: A Reflective Monologue
- The Hidden Meaning: Deciphering the Layers Within ‘Eu Sou 157’
- Memorable Lines: The Punch that Delivers the Story’s Emotional Weight
Lyrics
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói dos pivete’
Uma pá de bico cresce o zóio quando eu chego
Zé povinho é foda (ô) né não, nego?
Eu ‘to de mal com o mundo
Terça-feira à tarde
Já fumei um ligeiro com os covarde’
Eu só confio em mim, mais ninguém, ‘cê me entende
Fala gíria bem, até papagaio aprende
Vagabundo assalta banco usando Gucci e Versace
Civil dá o bote usando caminhão da Light
Presente de grego num é cavalo de Tróia
Nem tudo que brilha é relíquia nem joia, não
Lembra aquela fita lá? (O, fala aí Jão)
O bico veio aê, mó cara de ladrão
Como é que rapa!
Calor do carai
‘Cê sabe, ‘xa eu fumar
Passa a bola Romário
Hum, meio confiado né, é, eu percebi
Pensei, ó só, que era truta seu
(Ó o milho)
E diz que tinha um canal
E vende isso e aquilo
Quem é, quem tem?
M pra vender
Quero um quilo
Um quilo de que, Joh? ‘Cê conhece quem?
Sei lá, sei não, hein
Eu sou novo também
Irmão, quando ele falou
Um quilo, é o deixo
É o milho, a micha caiu
Mais onde é que já se viu?
Assim, ‘tá de piolhagem
Não vai daqui a ali, mó chavão, nesse traje’
De óculos escuro’, bermuda e chinelo
O negão era polícia, irmão, mó castelo
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra me ama
Os playboy se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói dos pivete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói dos pivete
Nego, São Paulo é selva
E eu conheço a fauna
Muita calma ladrão, muita calma
Eu vejo os ganso descer e as cachorra’ subir
Os dois peida pra ver quem guia o GTI
Mais também né, Jão
Sem fingir, sem dar pano
É boca de favela, hô, vamo e convenhamos
Tiazinha, trabalha há 30 ano e anda a pé
Às vezes cagueta de revolta, né
Que, né nada disso não, ‘cê ‘tá nessa?
Revolta com o governo, não comigo, ó as conversa
Traidor, cobra-cega
Pensou se a moda pega?
Nego, eles te entrega pro depart
Ai sujou, de bolinho, complô
Pode até ser que tem, sei lá
Em qualquer lugar, vários tem celular
Não dá pra acreditar que aconteça
Na hora do choque
Que um de nós troque uma cabeça
Por incrível que pareça pode ser
Ó meu, o dia de amanhã quem sabe é Deus
Eu não sei, não vi, não sou, morro cadeado
Firmão, deixa eu ir
Quem não é visto, não é lembrado
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói dos pivete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói dos pivete
Família em primeiro lugar é o que há
Juro pra, senhora mãe, que eu vou parar
Meu amor é só seu brilhante num cofre
Enquanto eu viver a senhora nunca mais sofre
‘Tá daquele jeito, se é, é agora
É calça de veludo ou é bunda de fora
Me perdoe, me perdoem mãe
Se eu não tenho mais o olhar
Que um dia foi te agradar
Com cartaz escrito assim
12 de Maio em marrom
Um coração azul e branco em papel crepom
Seu mundo era bom
Pena que hoje em dia só encontro
No seu álbum de fotografia
Juro que vou te provar que não foi em vão
Mas cumprir ordem de bacana, não dá mais não
Xi, Jão, falando sozinho?
Essa era da boa? Põe dessa pa’ mim
O barato ‘tá doido
E os mano’ te ligou ali
Mais tem que ser já, sem pensar, ‘cê quer ir
A ponta é daqui a pouco
8 hora, 8 e pouco
‘Tá tudo no papel, dá pra arrumar uns troco’
O time ‘tava montado, mas tem
Um que não pode, mano, é doutro lado
Mais é, é pela ordem
Vamo, ‘tá mó mamão
Só catar, demorou
Ó só, te pus na fita, quer ser merecedor
Não vou te por em fita podre, aliado
A cena é essa, ó, fica ligado
Um mão branca fica só de migué
No bar em frente o dia inteiro, tomando café, é nosso
O outro é japonês, o kazu, que fica ali, vendendo um dog
Talão zona azul
‘Cê compra o dog dele e fica ali no bolinho
Ele tem só um canela seca no carrinho
Se liga a loira né, então, vai ta lá dentro
De onda com os guardinha, pam
Nessa aí que eu entro
É dois, tem mais um, foi quem deu, ‘tá ligeiro
Na hora, ele vai ‘tá de AK no banheiro
Tem uma XT na porta e uma Saara
Pega a contra-mão, vira a esquerda e não para, a cara
É direto e reto, na mesma, até a praça
Que ‘tá tudo em obra, e os carro não passa
Do outro lado ‘tá a Rose, de Golf, na espera
Dá as arma e os malote’ pra ela e já era
Depois só, praia e maconha
Come todas burguesa’ em Fernão de Noronha
Nossa, mano, colou aqueles gadinho lá
Que mora no condomínio
Vixi, ih aquelas mina lá
Aquelas mina são mó gostosa (só gata, fio)
Elas até gosta de fumar um baseado, ó
Vou levar elas toda pra lá
O dia D chegou
Se esse é o lugar, então aqui estou
Quanto mais frio, mais em prol
Uma amante do dinheiro pontual como o sol
Igual eu, de roupão e capacete
No frio já é quente ainda usando colete
Já era eu ‘to aqui
E aonde ‘cê ‘tá Jão?
‘To vendo ninguém
E o japonês, ‘tá aqui não
O carrinho não ‘tá aqui né, daqui eu ganhei
O outro man nem comeu também
Desde que eu cheguei
Mas por que logo hoje? Por que que mudaram
É difícil, é raro, os que deu a fita, erraram
Sei não, ‘tá esquisito Jão, ‘tá sinistro
Não é melhor nóis se jogar, vê direito, hein
E qualquer coisa, a loira vai ligar
Num tem pressa
‘Cê é que nem meu irmão
Caraio, porra, num dá essa
Só tem o zé povinho, e os motoboy’
‘Tá gelado, vamo entrar, vagabundo é nóis
Nossa senhora, neguinho passou a mil
Eu falei, nem ouviu, nem olhou, nem me viu
Minha cara é esperar, eu não tiro o zóio
Lá dentro eu não sei, meu estômago dói
Lá vem o truta, vamo
É agora
Tudo errado, vamo embora, caiu a fita, sujou
Cadê o neguinho, demorou, caralho
Bem que eu falei, todos fuça mudou
Só tinha 2, mais tem 3
O neguinho vinha vindo, do que vinha rindo?
O pesadelo do sistema, não tem medo da morte
Dobrou o joelho e caiu como um homem
Na giratória, abraçado com o malote
Eu falei porra, eu não te falei? Não ia dar
Pra mãe dele, quem que vai falar quando nóis chegar?
Um filho pa’ criar, imagina a notícia
Lamentável, vamo’ aí, vai chover de polícia
A vida é sofrida
Mas não vou chorar
Viver de que?
Eu vou me humilhar?
É tudo uma questão de conhecer o lugar
Quanto tem, quanto vem
E a minha parte quanto dá porque
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Sou herói, dos pivete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
As cachorra’ me ama
Os playboy’ se derrete
Hoje eu sou ladrão, artigo 157
A polícia bola um plano
Eu sou herói, dos pivete
Ae loko, muita fé naquele que ‘tá lá em cima
Que ele olha pra todos, e todos tem o mesmo valor
Vem fácil, vai fácil, essa é a lei da natureza
Não pode se desesperar
E ae molecadinha, ‘to de olho em vocês, hein!
Não vai pra grupo não, a cena é triste
Vamo’ estudar, respeitar o pai e a mãe
E viver, viver, essa é a cena
Muito amor
Eu Sou 157 by Racionais Mc’s is not just a song; it’s a gritty narrative of life on the precarious margins of Brazil’s urban landscape. As a spearhead of rap and hip-hop in Brazil, Racionais Mc’s has been providing a voice for the voiceless, spotlighting the social injustices faced by communities. This track, named after Article 157 of the Brazilian Penal Code, delves into the psyche of a petty criminal — a role left to many as a consequence of systemic failures.
Through a meticulous dissection of this profound piece of lyrical artistry, one can uncover the layers of meaning that make ‘Eu Sou 157’ an anthem for the overlooked and oppressed. Let’s navigate through the cacophony of societal judgment and witness how Racionais Mc’s transforms the rap into a subversive commentary on class warfare, institutional neglect, and the fight for survival.
The Gravity of ‘Article 157’: A Metaphor for Socioeconomic Struggle
When the track begins with ‘Hoje eu sou ladrão, artigo 157’, it’s a clear admission of adopting the path of crime, but it goes deeper than literal theft. Here, the article stands as a symbol for the artist’s identity — one constructed by the laws that criminalize poverty, pushing people towards crime as a means to survive in a capitalist society that celebrates wealth and disdains the indigent.
This notion rings true throughout the song lyrics, punctuating the narrative with an aura of inevitability and the harsh reality of decisions made from desperation. In contrast, the law is personified as the omnipresent adversary, perpetually ‘bola um plano’ — laying traps for those it has already failed.
Hero or Villain? Eulogized by Kids, Demonized by the System
‘Eu sou herói dos pivete’ is one of the song’s most potent lines, placing the protagonist on a pedestal in the eyes of street kids. To the disenfranchised youth in favelas, the alleged criminal is Robin Hood, a beacon of hope and resistance. The line brilliantly showcases how societal values can invert depending on which side of the economic divide you’re on.
Paradoxically, while these actions garner admiration from one group, they lead to villainization by the mainstream, highlighting the dichotomy between how different strata perceive morality in context with their own struggles.
Unearthing the Protagonist’s Psyche: A Reflective Monologue
As the song unfolds, the audience is given a glimpse into the protagonist’s thoughts, rife with cynicism and distrust — ‘Eu só confio em mim, mais ninguém’. It’s a mindset carved by betrayals and survival instincts in an environment where even language is weaponized (‘Fala gíria bem, até papagaio aprende’).
Such lines present a man embattled by his surroundings, stripped of naïveté, and hardened by the city’s unforgiving concrete jungles. The mistrust towards authority and the constant vigilance speak to the experience of many marginalized individuals in urban Brazil.
The Hidden Meaning: Deciphering the Layers Within ‘Eu Sou 157’
Each verse carries not only the story of a singular anti-hero but also the shared experience of a collective consciousness trapped in a cycle of poverty and crime. References to luxury brands and corrupted authorities point to the ironies of capitalistic excess and the inverted moral compass of a society that glorifies materialism over basic human decency.
Moreover, the song criticizes the superficiality of urban life (‘Nem tudo que brilha é relíquia nem joia’) and peels back the glamorous façade to reveal the stark reality that many residents face daily. The use of colloquial language and imagery represents the gritty underbelly of São Paulo, projecting a vivid scene that’s all too real for its inhabitants.
Memorable Lines: The Punch that Delivers the Story’s Emotional Weight
Sentiment resonates through the verses of ‘Eu Sou 157’, striking chords with ‘Me perdoe, me perdoem mãe’. There’s an overwhelming sense of regret and a longing for absolution from a mother, symbolizing purity and innocence lost.
This heartrending plea juxtaposed with the tough exterior of the thief offers a profound insight into the complexity of the human spirit grappling with moral conflict and the pain infused in every choice made for survival in the unforgiving streets.





